Abril de 2006


VENDAS DE PRODUTOS QUÍMICOS E PETROQUÍMICOS
AUMENTAM EM MARÇO

         Acompanhando a tendência histórica, o mês de março registrou, no setor de distribuição de produtos químicos e petroquímicos, expressivo aumento de vendas em relação a fevereiro, com crescimento de 24,4% nas vendas medidas em dólares, superando a previsão de 17%, estimada no Relatório Tendências anterior. O maior número de dias úteis do mês, bem como a recuperação da atividade industrial nos primeiros meses do ano, deram força ao comércio distribuidor de produtos químicos e petroquímicos, encarregado de abastecer de insumos e de matérias primas um grande número de indústrias. As informações das vendas contabilizadas em reais mostram crescimento médio de 23,9% em relação ao mês imediatamente anterior.

        “A produção industrial mostrou forte reação nos primeiros meses do ano, em razão da preponderância de dois fatos importantes: de um lado, a recuperação do mercado interno, localizada em determinadas atividades, fruto da recomposição salarial ocorrida em 2005, que, embora não muito elevada, aumentou em 2,7% o poder de compra médio do consumidor brasileiro. Por outro lado, as exportações no primeiro trimestre do ano foram bem sucedidas, acumulando superávit próximo a US$ 10 bilhões, sintoma claro de que, apesar da valorização do real frente ao dólar, a economia internacional sinaliza posição favorável para as exportações brasileiras”, destaca Rubens Medrano, presidente da Associquim – Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos e do Sincoquim – Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos de S.Paulo.

        De acordo com Medrano, para o mês de abril, em razão do desempenho fortemente positivo de março, a expectativa é de que as vendas em dólares apresentem um decréscimo de 3,6%. “É de se esperar que gradativamente a taxa de juros apresente redução, sendo repassada para os financiamentos oferecidos ao mercado, pois, até o mês de março, o percentual de queda na taxa Selic não foi totalmente percebido pelos tomadores de recursos. Aliás, a expectativa futura é de que a taxa básica de juros apresente queda de 3 pontos percentuais até o final do ano, atingindo o patamar de 13,5% ao ano, bem mais favorável que o atual”, antecipa Medrano.

        Apesar da necessidade premente de redução dos gastos públicos como forma de manter os superávits primários, necessários para o cumprimento das metas, inclusive da inflação, na opinião dos informantes do Relatório Tendências, isto dificilmente ocorrerá. A razão principal é o ano eleitoral, que exigirá, do candidato governamental, maior aporte de recursos financeiros para atendimento de programas sociais. Vale ressaltar que os gastos públicos aumentaram cerca de 14,7% no ano de 2005, enquanto a arrecadação atingiu patamar próximo de 38% do PIB, meio encontrado para cumprir os compromissos de caixa assumidos durante o ano, sem, contudo, que o crescimento fosse beneficiado, uma vez que a expansão anual foi bastante pequena, situando-se em 2,3% em relação ao ano passado.

        De qualquer forma, segundo Medrano, as expectativas econômicas são favoráveis. Segundo ele, a melhoria observada até o final de março foi localizada em alguns setores industriais, como automóveis, alguns tipos de bens duráveis impulsionados pelo crédito abundante para a aquisição de bens e nos produtos do setor alimentício, consequência da elevação do poder de compra observado em 2005.

        Outra informação importante e que se relaciona de forma estreita com o setor abastecedor de insumos e matérias primas de natureza química diz respeito ao comportamento da produção industrial, que, influenciada pelas exportações, embora setorizadas, e pela melhoria do mercado interno, deverá apresentar, nos próximos meses, comportamentos positivos em relação a iguais períodos de 2005. Até fevereiro, a indústria brasileira cresceu 4,2% ,de acordo com o IBGE, com os bens duráveis liderando a expansão, com crescimento de 16,6% no primeiro bimestre.

        As condições gerais da economia, a perspectiva de aumento de gastos públicos, a partir de programas de atendimento social, o incremento da renda no mês de abril com a vigência do novo salário mínimo, permitem prever um ciclo positivo nos indicadores de produção nos próximos meses, podendo influenciar positivamente o setor distribuidor de produtos químicos.

 

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