Março de 2006




Petrobras anunciou a localização do Complexo Petroquímico Integrado do Rio de Janeiro


         A Petrobras e seus parceiros, o BNDES e o Grupo Ultra, apresentaram, dia 28/03, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, DF, os resultados dos estudos técnicos para a implementação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ, com capacidade para processar 150 mil barris por dia de petróleo pesado nacional e produzir matéria-prima petroquímica e derivados. O Complexo será construído nos municípios de Itaboraí e São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, região que apresentou as melhores condições para implantação do empreendimento.
A localização está fundamentada em amplos estudos técnicos - econômicos, ambientais e sociais, conduzidos por grupos de trabalho conjuntos, que viabilizaram a idéia de implantação do complexo e definiram a sua localização. Entre estes fundamentos está a disponibilidade de infra-estrutura portuária, dutoviária e rodo-ferroviária para recebimento de matéria – prima e escoamento da produção.

         A Petrobras vai implantar, com seus parceiros, a Unidade Petroquímica Básica, integrante do Complexo, com investimentos totais estimados em US$ 3,5 bilhões. Esta unidade será a base para o desenvolvimento de um extraordinário parque industrial, reunindo uma central de utilidades e empresas de produção de produtos de segunda geração, como: polietileno, estireno, polipropileno, para-xilenos e etileno–glicol.

         O projeto prevê a construção, em São Gonçalo, do Centro de Inteligência do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e de uma Central de Escoamento de Produtos Líquidos, para armazenamento intermediário, tendo como objetivo otimizar o escoamento entre Itaboraí e os terminais de carregamento na Baía de Guanabara.

         O Centro de Inteligência é resultado de uma parceria entre a Petrobras e o município de São Gonçalo e se destina a formar e capacitar as empresas locais para prestação de serviços para o empreendimento e preparar recursos humanos para as fases de construção, montagem, operação e manutenção do Complexo Petroquímico. Para desenvolver essas atividades estão previstas parcerias com centros de pesquisa e universidades da região.

Escolha da localização

         Itaboraí destacou-se por dispor de infra-estrutura logística, como a proximidade do porto de Itaguaí, dos terminais de Angra dos Reis, Ilha d’Água e Ilha Redonda e sinergias com outros empreendimentos, como a Refinaria Duque de Caxias e indústrias petroquímicas, além da proximidade com o Centro de Pesquisas da Petrobras – Cenpes. Em função destas facilidades, a escolha foi a que indiciou menor investimento total. Outro aspecto positivo está relacionado com a atividade industrial local, que não compromete a qualidade do ar e ainda permite expansões futuras.

         A avaliação ambiental contemplou, entre outros parâmetros, a viabilidade atmosférica, a biodiversidade e áreas de proteção, o suprimento de água e o descarte de efluentes, a segurança das instalações, a saúde e a capacidade de atendimento à população.

         A avaliação sócio – econômica contemplou os aspectos de zoneamento, o uso e a ocupação do solo, os impactos sócio – ambientais e os riscos, considerando a presença de núcleos urbanos a cerca de 15 km. A estrutura fundiária, composta de sítios e fazendas com predominância de pastagens de baixo aproveitamento também foi observada nos estudos.
Outro aspecto está relacionado com o número de habitantes na zona de influência, considerando os municípios de Magé, São Gonçalo e Cachoeira de Macacu, que é de 1,3 milhões, que serão fornecedores de mão de obra e beneficiados pela implantação do projeto.

Investimento e empregos

         O investimento total no Complexo, que será de US$ 6,5 bilhões, viabilizará, também, a implantação, na região, de empresas de terceira geração que utilizam os petroquímicos para produzir itens para os mais diversos segmentos de consumo, desde utensílios de plástico até componentes para veículos, aviões e navios. Além dos vetores econômicos, dos aspectos logísticos e de infra-estrutura, a área escolhida precisa dispor de espaço para a instalação do parque de terceira geração, o que elevará ainda mais os investimentos, a abertura de empregos e a arrecadação de impostos na região.

         Além disso, a existência de espaço para expansão futura também foi uma das condicionantes para a escolha do local, uma vez que o Complexo deverá começar a produzir em 2012, com possibilidade de ampliação em dez anos.


         Estima-se que, na fase de operação das três gerações industriais da cadeia petroquímica, serão abertos cerca de 50 mil novos postos de trabalho. Durante as obras de construção do Complexo, as estimativas são de abertura de cerca de 212 mil empregos (diretos, indiretos e efeito renda). Na implantação das empresas de segunda geração deverão ser incorporados outros 212 mil empregos (diretos, indiretos e efeito renda).

Economia de divisas

         Com a utilização de petróleo pesado produzido pela Petrobras no Brasil como insumo para gerar produtos petroquímicos, substituindo a nafta que ainda é, em parte, importada, estima-se que o País deverá economizar mais de dois bilhões de dólares em divisas, quando o Complexo começar a operar. Essa economia será obtida pela substituição da exportação de petróleo pesado, de menor valor no mercado, pela exportação de produtos de maior valor agregado que serão produzidos no Complexo.

         Estas foram as principais motivações que levaram à idealização deste empreendimento, uma vez que o Brasil consome aproximadamente 10 milhões de toneladas de nafta e precisa importar cerca de 30% desse volume. Os restantes 70% são atendidos pela produção das refinarias da Petrobras.

         Na outra mão do mercado, a Petrobras vem aumentando a exportação de petróleo pesado produzido na Bacia de Campos, que tem cotação inferior ao tipo Brent. Atualmente a Petrobras exporta cerca de 300 mil barris/dia desse óleo, volume que deverá aumentar para 500 mil, até 2010. Ao processar 150 mil barris desse óleo por dia no Complexo Petroquímico, a Petrobras estará agregando maior valor à sua produção.

Tecnologia

         A viabilidade técnica das tecnologias foi validada pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras – Cenpes, no final de 2004. No Cenpes, estão sendo conduzidos os estudos técnicos de adaptação, para produção de petroquímicos básicos, da tecnologia de refino (craqueamento catalítico fluido), já dominada pela Petrobras. Os testes já realizados mostraram a viabilidade de obter petroquímicos básicos a partir de petróleo pesado nacional, com qualidade equivalente à dos insumos tradicionais, como a nafta.

Produção e demanda

         Os complexos petroquímicos convencionais recebem a matéria–prima, nafta, produzida em refinarias por dutos ou por outros modais de transporte. Este projeto inova ao juntar, na mesma área industrial, a refinaria, a central petroquímica e as fábricas de segunda geração, além da possibilidade de instalação, em áreas vizinhas, de empresas de terceira geração.

         A partir de uma carga de 150 mil barris/dia de petróleo produzido pela Petrobras na Bacia de Campos, o Complexo Petroquímico deverá produzir, anualmente, cerca de 1,3 milhões de toneladas de eteno, 900 mil toneladas de propeno, 360 mil toneladas de benzeno e 700 mil toneladas de p-xileno, além de derivados de petróleo, principalmente coque.

         As projeções consideradas no estudo de viabilidade indicam crescimento da demanda de petroquímicos básicos e, conseqüentemente, das importações desses produtos. Assim, o Complexo Petroquímico vai encontrar, em 2012, quando iniciar suas operações, um cenário extremamente favorável para a colocação de seus produtos no mercado.


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